Detetive da Beleza

A Avon está veiculando um comercial sobre um creme anti-rugas. O anúncio afirma que o produto faz as rugas sumirem em duas semanas. Acredito que desta vez, a empresa foi longe demais e ofendeu à inteligência da mulher brasileira.

Algumas pessoas me perguntaram: é possível rugas desaparecerem em duas semanas? Logicamente que não, essa afirmação é um completo disparate.

Pois bem, averiguar a divulgação de cosméticos nos meios de comunicação é o feijão com arroz do meu trabalho. Vamos analisar se as promessas desse produto  são realidade ou não. O anúncio afirma que o produto é capaz de fazer duas coisas em prol das rugas:

1 – “Preencher linhas finas na primeira aplicação e estimular a produção de colágeno”.  Nenhum creme, simplesmente espalhado na pele, é capaz de preencher linhas finas ou de qualquer tamanho. Preenchimento de rugas em medicina estética é algo totalmente diferente. A pessoa deve procurar um médico e fazer uma avaliação para verificar qual produto é o mais indicado; botox injetável por exemplo, seria uma opção de preenchimento de rugas. Creme nenhum aplicado na pele é capaz de estimular a produção de colágeno, essa afirmação não possui legitimidade científica. Pois a molécula de colágeno sintético é muito grande, incapaz de penetrar a barreira epidérmica da pele e descer até a derme, que é onde o processo de envelhecimento ocorre. Em produtos cosméticos, colágeno tem apenas efeito hidratante.

2 – “As linhas mais profundas começam a desaparecer em duas semanas”. O ciclo de renovação das células da pele humana, dura em média de 28 a 45 dias. Afirmar que as rugas começam a desaparecer em  duas semanas é mudar o ciclo natural de renovação celular. Um produto cosmético capaz de alterar esse ciclo natural,  deveria ser classificado como um agente farmacêutico, pois ele estaria alterando a estrutura da pele. O fato é que, não existe nenhum creme anti-rugas cientificamente compravado que seja capaz de apagar o inevitável. A maneira como as rugas aparecem e a pele envelhece, é um processo complexo, que envolve uma escala ilimitada de circunstâncias.

Para esclarecer essas afirmações, contactei a Avon e fiz a seguinte pergunta: Quais justificativas científicas, vocês possuem, para afirmar que um creme é capaz de alterar o período de renovação celular de 28 a 45 dias, para 2 semanas? Ouvi da empresa a resposta: “A tecnologia do produto é de uso restrito da empresa. As informações científicas a respeito da composição do produto, não são divulgadas”.

Ora, se existe algum estudo científico feito pela empresa, ele deve ser divulgado. A publicação do estudo é importante para saber se o estudo é amplo o suficiente a ponto de ser significativo. E mais essencial ainda, quem se beneficiou do estudo? Todas essas informações são vitais, pois dão credibilidade ao estudo, à empresa e os seus produtos.

Prometer que rugas desaparecem em duas semanas, além de ser pura fraude, é ressuscitar a expressão “óleo de cobra”. No velho oeste americano, homens viajavam vendendo “snake oil” ou óleo de cobra, alegando que o unguento curava toda enfermidade. É uma metáfora aplicada à  um produto, quando sua qualidade é questionável e não há comprovação científica. Portanto, adotar postura racional na hora de comprar qualquer cosmético, pode favorecer o bolso e a pele.  

 

Lucia Fagundes

Autora do livro: Detetive da Beleza

 

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  • lucia: Produto natural não existe.
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